terça-feira, 25 de maio de 2010
A casa dos coqueiros
O Sol era abundante toda a manhã, mas o verde refrescante daquela vegetação densa, embora de jardim, ajudava a amenizar o que se antevia um dia de suores e sonos. À entrada, antes das grades que delimitavam o espaço, o meu dentro delas e, do lado de fora, o dos outros, o esguio e fértil coqueiro inspirava a sua frescura em forma de sombra, que poucos se arriscavam a usufruir, dada a constante ameaça dos cocos em partir cabeças desprevenidas no curto caminho até ao chão.
As folhas largas e muito verdes inspiravam um momento vivido por férteis imaginações que no Ocidente sorriam ao imaginar o jovem e robusto colonizado a abaná-las na minha direcção. Mas não era assim.
Era verde, abafo, quente e som, era a magia da música nas coisas, era o sorriso alvo e irresistível, era o pé descalço, era a memória do que foi, com restos esfarrapados de beleza, era a natureza em bruto, as pessoas em bruto, o selvagem em contraste com a ideia feita. Eram também outras coisas como o nojo, o medo, a miséria, o lodo, a fome, a tristeza, a doença, o mosquito, a arma.
Eram emoções demais para tão pouco tempo, é hoje uma sensação que fica debaixo da pele para não mais sair. Hoje é dia de África.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Today
Há dias em que tudo muda e nada volta a ser como dantes. Há dias em que isso acontece porque marcámos uma qualquer data na agenda, outros há que nos apanham desprevenidos a meio do caminho e insistem em baralhar-nos as contas.
Ontem foi um dia de leve reconciliação com algo que se julgava irremediavelmente perdido. Hoje tenta-se chegar um pouco mais à frente nesta caminhada, sem saber se pelo meio haverá uma barreira gigante ou invisível, que nos impeça a passagem para o outro lado, o dos que não carregam um segredo e uma dor subtil que só advém do futuro.
Hoje não sei se chegarei a amanhã, mas tenho a certeza que tudo farei para lá chegar.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
2666
A pena afrouxa-se e envergonha-se ao mesmo tempo que os olhos se arregalam. A mente abre-se a este novo universo e imagina sem parar mundos diversos que se apresentam como viáveis. Há personagens que têm tanto de louco e de génio, de solitário e de ser pensante que deambula pelo mundo observando e absorvendo do seu próprio ângulo tudo o que de obscuro e bizarro se apresenta, tudo o que de normal se torna estória e aventura.
Apetece entrar por lá adentro e viver aquela vida, que de 80 anos sobram só contos de cinco e se anula tudo o resto. Tudo o que não interessa e que nós, que não somos personagens mas mutantes pela realidade, enfrentamos diariamente. Apetece olhar com aqueles olhos, e é a sorte de quem pode fazê-lo, conhecer que existe, entrar naquela cabeça sem ter de viver toda a desventura que permitiu atingir determinado conhecimento.
Encanta e prende e fica connosco sempre, aquela luz, como uma grande conversa que nos abre os horizontes e nos faz mudar de perspectiva. Acabei de o ler e quero escrever assim. Mas nunca conseguirei. E se não podes escrever uma obra prima é melhor que te cales para sempre... Em vez de encetar exercícios menores juntando letra a letra, palavras que esperas que façam algum sentido na sua conjugação, histórias que és capaz de inventar a partir da tua própria realidade, pequenos nadas que te fazem exorcizar a vontade de deixar algo de realmente significativo...
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Slave to love
Uns quantos meninos e meninas da 'nova geração' foram certamente produzidos ao som desta bela melodia dos 80's....
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
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