e s f e r a o b t u s a

Filha da caixa em exílio involuntário

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Antes era assim

Antes de amar-te, amor, nada era meu

Vacilei pelas ruas e as coisas

Nada contava nem tinha nome

O mundo era do ar que esperava.



E conheci salões cinzentos,

Túneis habitados pela lua,

Hangares cruéis que se despediam,

Perguntas que insistiam na areia.



Tudo estava vazio, morto e mudo,

Caído, abandonado e decaído,

Tudo era inalienavelmente alheio,

Tudo era dos outros e de ninguém,

Até que tua beleza e tua pobreza

De dádivas encheram o Outono.



Pablo Neruda

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