e s f e r a o b t u s a

Filha da caixa em exílio involuntário

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Au revoir Simone

Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres, disse Simone de Beauvoir que completaria 100 anos dia 9 deste mês. O que nos faz tornar hoje mulher? Com as convenções sociais em mudança, sem a rigidez de outros tempos que envolvia o feminino num apertado espartilho de normas de comportamento, hoje tudo será possível. Ainda não li o seu 'Segundo Sexo', mas já li sobre ele e a propósito da distinção que se estabelece entre sexo e género. Hoje é um tema quase banal, mas então não era. O género será o que nos 'torna' qualquer um dos dois lados, influenciados pela sociedade e pela cultura, em oposição ao sexo com o qual nascemos. Mesmo nesse aspecto se pode agora acrescentar um terceiro item, porque a transformação física é possível e também ela cada vez mais comum. Sem limites, a não ser os da própria identidade e vontade, será mais fácil definirmos o nosso papel, mas será ainda possível 'tornarmo-nos mulheres'? Como olharia Simone para o modus vivendi nesta época em que não há limites? Com Jean-Paul Sartre viveu um amor também incomum para a época. Uma relação aberta a terceiros que permitiria a ambos explorarem as suas liberdades individuais, enquanto se mantinham unidos pelo amor e pela filosofia. Seré que Simone gostaria de ver o caminho que tomaram hoje as mulheres - e os homens - ou ficaria desiludida com as conquistas e perdas que nos tornaram escravas, já não só da nosso papel feminino, mas de todos os outros que hoje também temos de desempenhar?

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