terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Prioridades
Em tempos estive em primeiro na lista. Quem me acarinha sempre que preciso, sem horas nem regras.
Em tempos abundavam os ombros onde encostar a cabeça. Era bom saber que lá estavam, acho eu agora, just in case.
Em tempos fui eu ombro também, e ainda hoje.
Ontem deixei de ter ombro e ouvido em que lançar um lamento. Ontem calei-o e tornei muda e seca a lágrima.
Ontem fechei o peito à chave para que não saia sem querer um reclamo, para que o peito direccione previamente até onde quer, ou, antes, até onde pode ir.
Ontem nasceu uma esperança e morreu um hábito tão antigo como o meu próprio ser, de lá estares sempre à mão, de ouvido pronto e colo aberto.
Fui perdendo aos poucos a capacidade de me expor, por medo do acolhimento, que cada dia escasseia um pouco mais.
Ontem perdi-te e hoje não te recupero. Não volto a encostar-me a ti.
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