Há-os de todas as cores e feitios. Usa-se na sala, mas também no quarto à entrada e até na casa de banho. Mais recentemente no closet.
Há-os rijos e desconfortáveis, há-os moles onde caímos sem rede e de onde custa sair. Há-os tão rígidos, de estilo imperial que pouco mais servem do que para enfeitar.
Pode ser de pele escorregadia ou de tecido firme, reclinável ou estanque, preto e branco, roxo, amarelo, vermelho. Pode ser liso e discreto, dos que passam desapercebidos ou colorido, às flores, dos que dominam o espaço todo.
Há-os novos a estrear, ainda a requerer adaptação. Há-os velhinhos e desconjunturados, bamboleantes, que chiam.
É o centro da casa, um refúgio, pela sua polivalência sem limites.
Lá nos sentamos a ver televisão, a comer, a conversar. Gostamos dele quando estamos sozinhos ou acompanhados. Lá nos deitamos com cansaço, adormecemos antes da cama, lemos o jornal, um bom livro ou fazemos amor.
Serve para sentar os convivas quando contamos com eles ou quando aparecem de surpresa. Gostamos de lá ter os íntimos, e queriamo-lo menos confortável para os indesejáveis.
Nele se sentam os amigos, nele se abre uma cama quando nos pedem abrigo.
Aqui sento-me e penso, aqui deito-me sem pensar, aqui escrevo, com o corpo moldado à tua pele castanha.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
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1 comentário:
Adorei esta ode ao sofá.
Simples...mas profundamente inteligente.
Bjocas
Pipinha
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