"Não há relações sociais sem jogos de poder", dizia uma psiquitra sobre as relações de amizades que as crianças desenvolvem.
É sempre um laço de poder, de facto, desde a primária, que se perpetua pela idade adulta.
Quem tem poder é sempre o mais forte, o mais bonito, o mais bem vestido, o mais rico, o mais inteligente. Se naquela altura esses estatutos dependem muito mais dos nossos pais do que de nós mesmos, à medida que o tempo passa cabe-nos ser responsáveis pelo nosso próprio sucesso, e consequentes jogos de poder que lhes estão associados.
Aí, é a nossa natureza que vem ao de cima. Podemos ser do tipo simpático, do tipo popular, do tipo manipulador, do tipo eu-sei-lidar-com-toda-a-gente ou mais do género bicho do mato. Entre estas possibilidades há variações, e tudo passa a depender do lugar que ocupamos na relação com o outro.
Se o olhamos de cima, de baixo ou de frente, basicamente. Ou pior, se nem sequer o olhamos ou somos olhados.
Depois há outras medições de forças muito mais subtis e sensíveis, cuja corda está sempre bamba. As relações de amor e de amizade exigem sempre um equilíbrio e é nele que reside a capacidade de acreditarmos que podemos ser mais.
Há, ainda, as outras relações mais desiquilibradas: as que temos com os nossos pais, que nos poõem nos píncaros, com aquele admirador que nunca deixou de nos desejar ou, por outro lado, com o nosso chefe, para quem nunca fazemos o suficiente e bem que chegue.
Entretanto há as outras, tantas outras que a indiferença lhes toca se parecerem irrelevantes para o topo que subimos a custo e que queremos a qualquer custo atingir, Aquelas que servem para calcarmos e olhar mais de cima. Ou o contrário.
Equilíbrio precisa-se, porque as cadeiras de poder são escassas e nem todos os rabos lá cabem.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
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1 comentário:
Inevitavelmente somos animais, em busca da sobrevivência...
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