O que pensar quando há mais de um ano não compramos - nem sacamos - música. O que deixa antever a compilação de emoções que só surge à flor da pele quando o que ouvimos tem, de preferência, pelo menos uma primeira aparição há uma década?
Nem sequer mi gustan particularmente os anos 90 e, no entanto, em termos musicais, lá está o que me apetece ouvir e sentir. Não por me transportar para lá, mas por me elevar aqui e agora.
Há aquela celebração que se faz à revelia das circunstâncias, só por teimosia, só porque sim, só com a desculpa de a vida ser agora, neste instante, e demasiado curta, tão célere que é preciso saborear cada momento como nos apetece, já. Nem que se trate de uma celebração efémera, nem que não haja copo erguido à nossa frente, nem que a validação ao que sentimos tenha apenas eco naquela parede verde que nos responde com um sorriso compreensivo mas descabido.
Nem que o nosso próprio humor esteja já tão imbuido de non sense que deixámos de activar as palavras certas naquele preciso momento, do hábito enraizado de falarmos conosco próprios.
E o som vai correndo e respondendo às nossas ânsias, moldando-as e submetendo-as ao jugo incontornável da sua verdade.
É por isso, creio, que preciso de ouvir qualquer coisa com densidade e leveza certas, que levem a bom porto a minha constante meditação sobre as coisas inatingíveis, que parecem nunca surgir, ou que não posso tocar, porque são apenas névoa passada e imperfeita.
Como se certas canções pedissem que fizéssemos tudo de novo, numa reconstrução surpresa. Outras não, asseguram-nos que este foi o caminho e, mais, que ainda é.
Acho que é aqui que começamos a ter consciencia do tempo que corre sem tréguas. Quando as referências estruturantes têm 10 anos, e as iniciáticas 20, pelo menos. se olharmos ligeiramente mais longe, vemos outro tanto tempo, , à espera lá à frentetão desinteressante quanto desinovador.
Questiono a relevância do tempo, embora não duvide dela.
Acho que então se percebe que o que outrora era o limite é hoje impensável, e o que outrora era a loucura é hoje a decadência.
Resta-nos o som que eleva e traz à terra o espírito. Esse sim é o mesmo, sempre duro, mas volátil, sedento e imutável, mas agora camuflado pela definição pré concebida de ser, definida para cada tempo em que cá estamos.
A tez imperfeita e a carteira cheia de promessas que não me elevam mostram que estou lá.
the tigger man is getting lost
without you, there's no release