quarta-feira, 25 de novembro de 2009
2666
A pena afrouxa-se e envergonha-se ao mesmo tempo que os olhos se arregalam. A mente abre-se a este novo universo e imagina sem parar mundos diversos que se apresentam como viáveis. Há personagens que têm tanto de louco e de génio, de solitário e de ser pensante que deambula pelo mundo observando e absorvendo do seu próprio ângulo tudo o que de obscuro e bizarro se apresenta, tudo o que de normal se torna estória e aventura.
Apetece entrar por lá adentro e viver aquela vida, que de 80 anos sobram só contos de cinco e se anula tudo o resto. Tudo o que não interessa e que nós, que não somos personagens mas mutantes pela realidade, enfrentamos diariamente. Apetece olhar com aqueles olhos, e é a sorte de quem pode fazê-lo, conhecer que existe, entrar naquela cabeça sem ter de viver toda a desventura que permitiu atingir determinado conhecimento.
Encanta e prende e fica connosco sempre, aquela luz, como uma grande conversa que nos abre os horizontes e nos faz mudar de perspectiva. Acabei de o ler e quero escrever assim. Mas nunca conseguirei. E se não podes escrever uma obra prima é melhor que te cales para sempre... Em vez de encetar exercícios menores juntando letra a letra, palavras que esperas que façam algum sentido na sua conjugação, histórias que és capaz de inventar a partir da tua própria realidade, pequenos nadas que te fazem exorcizar a vontade de deixar algo de realmente significativo...
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