terça-feira, 25 de maio de 2010
A casa dos coqueiros
O Sol era abundante toda a manhã, mas o verde refrescante daquela vegetação densa, embora de jardim, ajudava a amenizar o que se antevia um dia de suores e sonos. À entrada, antes das grades que delimitavam o espaço, o meu dentro delas e, do lado de fora, o dos outros, o esguio e fértil coqueiro inspirava a sua frescura em forma de sombra, que poucos se arriscavam a usufruir, dada a constante ameaça dos cocos em partir cabeças desprevenidas no curto caminho até ao chão.
As folhas largas e muito verdes inspiravam um momento vivido por férteis imaginações que no Ocidente sorriam ao imaginar o jovem e robusto colonizado a abaná-las na minha direcção. Mas não era assim.
Era verde, abafo, quente e som, era a magia da música nas coisas, era o sorriso alvo e irresistível, era o pé descalço, era a memória do que foi, com restos esfarrapados de beleza, era a natureza em bruto, as pessoas em bruto, o selvagem em contraste com a ideia feita. Eram também outras coisas como o nojo, o medo, a miséria, o lodo, a fome, a tristeza, a doença, o mosquito, a arma.
Eram emoções demais para tão pouco tempo, é hoje uma sensação que fica debaixo da pele para não mais sair. Hoje é dia de África.
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1 comentário:
Saudades do chamamento afro?
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